domingo, 24 de fevereiro de 2013

Entrevista de Roberto Fernandes

Estamos repassando alguns trechos da entrevista do ex-técnico do Mecão, Roberto Fernandes, à Tribuna do Norte.

Tribuna do Norte: Ainda existe algum laço de amizade com o América?
É um relacionamento como qualquer ex-treinador. Tive uma passagem, a meu ver, vitoriosa, e que deixou as portas abertas. A instituição América, só reitero, de agradecer o torcedor, toda relação que tivemos ao longo de quase um ano. É um clube que tem o meu carinho para o resto da minha vida. Com o presidente Alex Padang e a diretoria de futebol, idem. O presidente sempre me tratou de forma muito respeitosa, cordial. Estendo isso ao Paulinho Freire, Ricardo e Roberto Bezerra, Eduardo Pagnocelli, José Rocha, Eduardo Rocha. Enfim, mantenho uma relação muito boa com todos. Agora, claro, o América segue a vida  dele e estou seguindo a minha.

TN: Como foi sua saída do clube?
Até que se prove o contrário, saí do América pelos motivos que foram colocados pelo presidente. A maior prova disso é o número de atletas que já saíram do América. Foi, realmente, pela redução financeira.

TN: Mas, você tinha planos de ficar, mesmo sendo eliminado precocemente da Copa do Nordeste?
A minha ideia, logo após o jogo do Vitória, quando fomos eliminados, era manter o grupo e buscar de dois a três reforços. Sendo que, essa minha ideia, foi de encontro com o pensamento do presidente, que era a redução da folha. Se era para reduzir, tinha que começar pela parte mais alta. O Padang veio conversar comigo dos valores da comissão técnica e entendi perfeitamente. Achei corajoso da parte dele, essa atitude. Qualquer outro presidente poderia "empurrar com a barriga" e só acumular dívidas, atrasar salários e ficar com um ambiente de trabalho ruim. Lamento muito a quebra de um planejamento. Hoje, o América não vai partir da estaca zero, mas, deu alguns passos para trás. Tomara que seja  para tomar um impulso para um voo mais alto lá na frente.

TN: Você ficou surpreso com a demissão?
O que vinha acontecendo, antes do jogo contra o Vitória, foi que perdemos algumas contratações que tínhamos, de jogadores que foram para clubes igual ao América ou inferior, pelo menos em questão de tradição, que ali, já sinalizava que o clube já estava começando a enfrentar problemas de ordem financeira. Não tivemos a condição de trazer nenhum jogador que pedisse "luvas", o que é normal para o futebol. Foi uma atitude corajosa do presidente, eu entendo, não tenho a menor mágoa, mas, lamento a quebra desse planejamento. Como eu me sinto,  nem sei se o torcedor pensa assim, um dos responsáveis pela bela temporada de 2012, não queria ter, em 2013, uma temporada inferior.

TN: Se sente responsável, também, pela má campanha na Copa do Nordeste?
Claro. É impressionante como, as vezes, fatos tão relevantes, passam despercebidos. Um dos pontos mais fortes na temporada passada era o ataque. Participei de seis jogos da Copa do Nordeste com apenas dois atacantes e um deles é um garoto, o Gláucio, que nem fazia parte do grupo no ano passado. Na minha opinião, o América não se classificou, porque faltou força ofensiva. O que tínhamos de sobra ano passado, esse ano, com exceção da partida contra o Salgueiro, em casa, fizemos um gol por jogo. Não tivemos força ofensiva.

TN: Dizem que Alexandre Irineu está apenas guardando seu cargo para a Série B do Brasileiro. É verdade?
Não, futebol é muito dinâmico. As contas de todo mundo vencem. Desde que deixei o América, tive quatro propostas concretas. Mas, nesse momento, estou com outro objetivo. Se não surgir, até o final do mês, propostas dos clubes que estou pensando, vou passar 15 dias na Europa, fazendo uma troca de experiências em Portugal, Espanha e no clube que o Anthony Armstrong é dono, na Itália. Mas, tudo é muito dinâmico. Vou a São Paulo na próxima semana, olhar alguns jogos do Campeonato Paulista, para analisar jogadores, que podem reforçar o time que irei treinar. Não posso dizer que o Alexandre Irineu está guardando meu lugar, porque posso assumir outra equipe e vou trabalhar por ela, assim como fiz no América.

TN: Voltaria ao América?
Deixei as portas abertas. Fizemos um bom trabalho. Como profissional, estou aberto, como qualquer outra equipe. Já dirigi, em outros estados, equipes rivais. Sou um profissional de futebol. A minha fonte de renda é como treinador e preciso trabalhar.

TN: Se recebesse uma proposta do ABC, iria?
Não posso dizer que iria, mas, vou ouvir toda e qualquer proposta que receber, como profissional. E vale salientar uma coisa: nunca tive problema nenhum com o ABC. O que existe é que eu sou um treinador aguerrido e nunca me acostumei com derrotas. Quando visto a camisa do clube, vou até o final e o torcedor entende isso. Sou parado na rua, tanto pelos torcedores do América, quanto pelo ABC, de forma muito respeitosa.



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